quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Renato Russo de A a Z, por Simone Assad

Autor: Simone Assad
Editora: Letra Livre
Páginas:  305

Nota: ★★★
Uma das razões de ter escolhido esse livro para este mês foi o fato de ter uma ligação muito forte com a banda Legião Urbana.

Minha descoberta foi aos 13 anos, Renato Russo já havia morrido e lembro de ter visto uns clipes na tv e ouvir minha irmã cantando junto, e eu achei aquela música tão boa e tão inteligente que quis ouvir mais. Quando chegou meu aniversário fui numa loja de CD's e comprei um pra mim, ouvi exaustivamente, até copiei alguns programas de rádio em fitas cassete (é, eu ainda usava porque os cd's eram um pouco caros e eu não tinha muito dinheiro) e toda vez que ficava sozinha em casa, escutava no volume máximo, gritando e pulando com as músicas mais animadas, e curtindo mais calmamente as mais melancólicas. Foi Legião que me abriu para o rock, que me abriu para um mundo novo que fui descobrindo aos poucos.

O livro Renato Russo de A a Z é estruturado de uma forma diferente (e um pouco enjoativa de ler), em 453 verbetes retirados em várias entrevistas, textos, conversas com o Renato, através de uma longa pesquisa coordenada pela jornalista Simone Assadem.


Nesses verbetes temos uma visão muito ampla da biografia desse cara autêntico, de personalidade forte e posicionamentos polêmicos com relação à política, às condições sociais do país, ao amor, a homossexualidade, conflitos de banda, e também seus problemas mais íntimos, sua relação com a família, com o alcoolismo...


O Brasil é um país que não é uma nação, onde a vítima é ré, e não se respeita mulher, negro e homossexual. (1987)
Não sou louco, sou alcoólatra. É diferente. Não vou ter vergonha de ter cabelo preto, de ser canhoto. Sou uma pessoa pública, não acho que deva mentir para as pessoas. (1995) 
O Descobrimento do Brasil é um disco sobre perda. Mas são pouca as pessoas que percebem isso, por causa do jeito que as músicas estão estruturadas. Todas as músicas são músicas de despedida. (1993)
Não dá para acreditar na grande mídia, e têm pessoas completamente servis, que acreditam em tudo o que lêem. (1996)
Um dos meus planos é — quando eu estiver com uns 40, 50 anos — escrever ficção. Eu tenho a minha vida toda planejada. (1986)

É um livro mais que recomendado para fãs, e para os não tão fãs, e até os que não conhecem a banda e suas criações ter uma oportunidade de fazê-lo, já que os vários momentos pelos quais passaram, as criações das músicas e letras e alguns trabalhos solos são comentados também. 

O ponto que eu achei ruim foi exatamente a estruturação em verbetes, já que alguns trechos soaram repetitivos e ficariam melhor se inseridos em outros lugares, além disso, falta também uma contextualização dos trechos escolhidos, para além dos anos em que foram registrados. Se tivesse inserido num contexto maior, talvez déssemos outra interpretação para as falas de Renato Russo.

No mais, achei o livro adorável, atiçou meu lado fangirl e me fez catar todos os meus cd's do Legião e ficar curtindo muito aqui.


Essa resenha faz parte do Desafio Literário,confira minha lista aqui.
Tema de Fevereiro: Biografia
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Ps: fiz essa versão achatada do banner do desafio, porque achei que ficava melhor, fiquem a vontade se quiserem usar também.