sexta-feira, 11 de março de 2011

Apátrida, de Ana Paula Bergamasco (Booktour Nanie's World)

Comecei a resenha um pouco reticente, o livro mexeu muito comigo, a identificação com Irena (a protagonista) foi muito profunda.
O livro Apátrida foi lançado em setembro de 2010, o conheci por algumas resenhas que tinha lido, por cima, apenas para conhecer a história. Quando Nanie anunciou o booktour do livro me prontifiquei a participar, esperando muito que fosse escolhida dessa vez, e consegui.
Evitei então reler as resenhas, apenas me recordava da boa impressão que tivera deste romance. Fiquei muito feliz quando o livro chegou aqui em casa, a primeira da lista é um cargo importante, todos os outros participantes (imagino eu) esperam pela minha resenha.


Decidi não postar sinopse, vou contar brevemente com minhas palavras pobres todo turbilhão de sentimentos que me surpreenderam durante a leitura.
A estrutura do livro não é linear, não é um começo meio e final feliz pois o passado e o presente dialogam intensamente, como acontece todos os dias quando lembramos de nossas vidas. De repente você está caminhando na rua e recorda da infância, é assim que o livro se apresenta: o presente de Irena e sua família cercados de lembranças, nem sempre felizes.
Viver com Irena uma infância feliz, com seus irmãos e familiares tão amáveis, correr no bosque com eles e seu amigo judeu, Jacob, e depois ser assolado por perdas, mortes oriundas ou não da guerra não foi fácil. Não é uma leitura de consumo, como com um YA, que você lê e se diverte e passa para o próximo.
Apátrida é uma lição de vida, de amor, de fé, esperança e de luta!
Polaca, Irena vive bem, apaixona-se perdidamente por seu amigo de infância, e quase morre de amor quando este se casa com outra. Quase morri com ela. Senti tanto ódio por Jacob, como poderia não enfrentar o mundo por um amor tão puro?! O tempo passou e Irena amou novamente, dessa vez Rurik. Mudou-se com ele para Bielorrusia pois este perdera o pai e precisavam dele para não perderem as posses da família. Irena amou e foi feliz, e eu junto dela. As forças alemãs começaram a se impor, e Irena sofre outras perdas. Mais um choque e muita dor na vida dela. Chorei muito, junto com ela superava a perda de Jacob, e novamente desabamos juntas, Irena e eu. As coisas não melhoraram, muito pelo contrário. Por várias vezes esteve prestes a morrer, e graças a Deus ela sobrevivera para tomar conta de seu pequeno Jan, cópia do pai Rurik, e dos outros filhos que mais tarde tivera.
O amor por Jacob nunca morreu. Ela amou intensamente Rurik, e foi feliz com ele. Mas seu amor por Jacob ainda estava com ela, era parte de sua vida. E o amor dele por ela continuava recíproco, mas ele ainda era casado com Ewa, e esta lhe dera uma filha, Hannah. Muitas complicações políticas devido às atrocidades da polícia alemã e da filosofia ariana destruíram as vidas desses nossos amigos, se não literalmente, mas espiritualmente.
Se Irena foi feliz? Sim, ela teve muitos momentos de felicidade. E foram estes que a mantiveram viva, eram suas crianças no campo de concentração que não a fizera desistir de tudo e se entregar a morte.
A narrativa não poupa o leitor do horror que foi a Segunda Guerra Mundial, e achei isso incrível! Estamos cada vez mais insensíveis ao que acontece ao próximo, há quem até diga que não houve extermínio de judeus!!! Me diga, quem em sã consciência teria a ousadia, a coragem de criar uma crueldade, dor, desrespeito tão imenso pela humanidade apenas para se vitimizar?! Não acredito nisso. O livro está ai para nos mostrar não só a vida de Irena, mas de todas as vítimas da guerra, sendo judias, homossexuais, poloneses, alemães... É a dor de uma filha, uma irmã, uma mãe e uma amiga que representa fidedignamente o sofrimento da guerra. Não tem como não se sensibilizar e padecer dos mesmos tormentos que ela. A espera por reencontros que por vezes não chegaram a acontecer, a solidariedade entre aqueles que estavam em dificuldades.
Ainda vai levar um tempo para essa angústia misturada com uma lição difícil que acabara de ser aprendida seja absorvida por completo, fiquei realmente muito tocada, escrevo ainda emocionada.
Quero deixar registrado aqui meu agradecimento e meus sinceros parabéns a Ana Paula, autora do livro, por um trabalho tão bonito quanto este que passou por minhas mãos! Muito obrigada! Nanie tinha razão, esse é um livro que todos precisam ler!

Aos próximos leitores do booktour, lhes desejo uma boa leitura. Apreciem cada palavra, pois as mensagens transcritas nelas são muito bonitas.

OBS: Não comentei no texto, pois ficaria deslocado, mas o livro apresenta uns erros de grafia e pontuação, coisa que provavelmente passaram desapercebido na revisão. Inclusive tem um capítulo que não sei se faltou uma palavra (que ficaria na outra página antes do próximo capítulo) ou mais de uma.  Uma sugestão para uma nova edição seria um glossário pequeno no final do livro, ou em notas de rodapé, no início do livro fiquei um pouco perdida com termos em polonês ou mesmo alemão ou iídiche.